Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em outubro de 2026
Juros simples são juros calculados sempre sobre o valor inicial, pela fórmula J = C × i × t. Em R$ 1.000 a 2% ao mês por 6 meses, os juros somam R$ 120. No crédito do dia a dia, porém, bancos e fintechs usam juros compostos, que crescem sobre o saldo acumulado.
Resposta rápida:
- A fórmula é J = C × i × t, com taxa e prazo na mesma unidade.
- O montante é o capital mais os juros: M = C + J.
- Os juros compostos incidem sobre o saldo acumulado e por isso crescem mais rápido.
- Empréstimo e consignado usam juros compostos com parcelas calculadas pela Tabela Price.
- Para comparar ofertas, olhe o CET, que soma juros, IOF e tarifas.
Neste guia
O que são juros simples
Juros simples são o regime em que a taxa de juros incide sempre sobre o capital inicial, o valor emprestado ou aplicado no começo. Os juros de um mês não entram na base do mês seguinte. Por isso, todo período rende exatamente o mesmo valor.
Esse comportamento tem nome: crescimento linear. Num gráfico, a dívida ou a aplicação sobe em linha reta. É o regime mais fácil de entender, e é por ele que quase toda explicação sobre crédito começa, inclusive a do nosso guia de empréstimo pessoal.
Pense em R$ 1.000 a 2% ao mês. No regime de juros simples, cada mês acrescenta R$ 20, porque 2% de R$ 1.000 é R$ 20. No primeiro mês são R$ 20, no segundo mais R$ 20, no décimo mais R$ 20. A base nunca muda.
Três ideias resumem os juros simples:
- Base fixa: a taxa incide sempre sobre o capital inicial.
- Rendimento constante: cada período soma o mesmo valor em reais.
- Crescimento linear: o total sobe em linha reta, sem acelerar.
- Conta direta: dá para fazer de cabeça ou numa calculadora comum.
Essa simplicidade é justamente o que separa os juros simples do que acontece numa proposta de crédito real, como você vai ver nas próximas seções.
Qual a fórmula do juros simples?
A fórmula juros simples é J = C × i × t, e o montante é M = C + J. Com essas duas linhas você resolve qualquer conta do regime, desde que a taxa esteja em número decimal e na mesma unidade de tempo do prazo.
Cada letra da fórmula tem um papel:
- J (juros): o valor em reais que o dinheiro rende ou custa.
- C (capital inicial): o valor emprestado ou aplicado no começo.
- i (taxa de juros): o percentual por período, escrito em decimal.
- t (tempo ou prazo): quantos períodos a operação dura.
- M (montante): o total ao final, capital mais juros.
A taxa entra em decimal: divida o percentual por 100. Assim, 2% vira 0,02 e 1,5% vira 0,015. Esquecer essa conversão é o erro mais comum, e ele multiplica o resultado por 100.
Taxa e prazo precisam falar a mesma língua. Taxa ao mês pede prazo em meses; taxa ao ano pede prazo em anos. Se a taxa é 2% ao mês e o prazo é 1 ano, use t = 12, não t = 1.
Como o montante é M = C + J, dá para juntar tudo numa linha só: M = C × (1 + i × t). As duas formas dão o mesmo resultado.
Como isolar a taxa e o tempo
A fórmula dos juros simples também funciona ao contrário. Se você sabe quanto pagou de juros e quer descobrir a taxa, ou o prazo, basta isolar a letra que falta:
- Taxa: i = J ÷ (C × t).
- Tempo: t = J ÷ (C × i).
- Capital: C = J ÷ (i × t).
Exemplo: se R$ 1.000 renderam R$ 120 em 6 meses, a taxa é 120 ÷ (1.000 × 6) = 0,02, ou seja, 2% ao mês. A conta de volta confirma a de ida.
Exemplo passo a passo de cálculo
Para saber como calcular juros simples, aplique a fórmula J = C × i × t em quatro passos. O exemplo abaixo usa R$ 1.000 a 2% ao mês por 6 meses, valores ilustrativos que saem da própria fórmula.
- Converta a taxa para decimal: 2% ÷ 100 = 0,02.
- Multiplique capital, taxa e tempo: 1.000 × 0,02 × 6 = 120.
- Some o montante: M = 1.000 + 120 = R$ 1.120,00.
- Confira pelo mês: R$ 20 por mês vezes 6 meses dá os mesmos R$ 120.
O passo 4 é a prova real. Nesse regime, o rendimento de cada mês é sempre C × i, e multiplicar esse valor pelo prazo tem de dar exatamente os juros totais. Se não fechar, houve erro na conversão da taxa ou na unidade do prazo.
O mesmo método vale para qualquer prazo. Em 12 meses, os juros seriam 1.000 × 0,02 × 12 = R$ 240, e o montante, R$ 1.240,00. Repare que dobrar o prazo dobrou os juros: essa proporção direta é a marca do crescimento linear.
Também é possível partir de uma taxa anual. R$ 5.000 a 12% ao ano por 3 anos rendem 5.000 × 0,12 × 3 = R$ 1.800. O montante é R$ 6.800,00. Taxa anual, prazo em anos: as unidades batem.
Como calcular em uma calculadora comum?
Uma calculadora comum resolve essa conta em uma sequência de teclas. Digite o capital, multiplique pela taxa em decimal e multiplique pelo prazo. Para o exemplo, digite 1000 × 0,02 × 6 e aperte igual: aparece 120.
Para chegar direto ao montante, some o capital ao resultado: 120 + 1000 = 1.120. Quem prefere usar a tecla de porcentagem pode digitar 1000 × 2 % para obter os R$ 20 do mês e depois multiplicar por 6. Não precisa de calculadora financeira, e isso só vale para esse regime.
Qual a diferença entre juros simples e juros compostos?
A diferença entre juros simples e juros compostos está na base de cálculo. Nos simples, a taxa incide sempre sobre o capital inicial. Nos compostos, incide sobre o saldo acumulado, que já inclui os juros anteriores. É o chamado juros sobre juros.
Esse acúmulo tem nome técnico: capitalização. A cada período, os juros são incorporados ao saldo e passam a render também. A fórmula dos juros compostos é M = C × (1 + i)^t, em que o prazo aparece como expoente. Por isso o crescimento é exponencial, uma curva que acelera, e não uma reta.
A tabela mostra os dois regimes com o mesmo ponto de partida, R$ 1.000 a 2% ao mês. A coluna de diferença é a subtração das duas anteriores.
| Mês | Juros simples (montante) | Juros compostos (montante) | Diferença |
|---|---|---|---|
| 1 | R$ 1.020,00 | R$ 1.020,00 | R$ 0,00 |
| 3 | R$ 1.060,00 | R$ 1.061,21 | R$ 1,21 |
| 6 | R$ 1.120,00 | R$ 1.126,16 | R$ 6,16 |
| 12 | R$ 1.240,00 | R$ 1.268,24 | R$ 28,24 |
No primeiro mês os dois regimes empatam, porque ainda não há juros anteriores para render. A partir do segundo, os compostos se afastam, e a distância cresce a cada mês. Em prazos curtos a diferença parece pequena; em prazos longos, ou com taxas altas, ela vira o centro da conta.
Para resumir, critério por critério:
| Critério | Juros simples | Juros compostos |
|---|---|---|
| Base de cálculo | Sempre o capital inicial | O saldo acumulado do período anterior |
| Crescimento | Linear, em linha reta | Exponencial, em curva que acelera |
| Fórmula | M = C × (1 + i × t) | M = C × (1 + i)^t |
| Onde aparece | Contas didáticas e de curtíssimo prazo | Empréstimos, financiamentos, cartão e aplicações |
| Efeito no prazo longo | Juros crescem na proporção do prazo | Juros crescem cada vez mais rápido |
Fazer juros compostos à mão é trabalhoso, porque exige potência. Para testar seus próprios valores, use a calculadora de juros compostos do blog e compare com o resultado dos juros simples.
Juros simples é usado em empréstimo?
Juros simples, em regra, não é usado em empréstimo ao consumidor. Na prática de mercado, bancos e fintechs calculam o crédito com juros compostos e parcelas fixas pela Tabela Price. A capitalização mensal tem amparo legal no Sistema Financeiro Nacional.
Esse amparo vem da Medida Provisória nº 2.170-36/2001, cujo art. 5º admite, nas operações das instituições do Sistema Financeiro Nacional, a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano. A norma permite a capitalização; ela não obriga ninguém a usá-la. O uso de juros compostos é prática do mercado.
E o custo é alto. Segundo o Banco Central do Brasil, a taxa média de juros do crédito pessoal não consignado foi de 6,39% a.m. em agosto de 2026 (série SGS 25464, 2026). Para efeito de comparação, a Selic, taxa básica de juros da economia, está em 13,75% a.a. (Banco Central do Brasil, série SGS 432, 2026), bem abaixo do crédito pessoal. Com taxas nesse patamar, a diferença entre os regimes deixa de ser detalhe.
Como funciona a Tabela Price?
A Tabela Price é um sistema de amortização com parcelas iguais do começo ao fim. Amortização é a parte da parcela que abate a dívida. Em cada parcela, uma fatia paga os juros do mês sobre o saldo devedor, e o resto amortiza o capital.
Como o saldo cai a cada pagamento, os juros do mês seguinte são menores, e a fatia de amortização cresce. A parcela é calculada por P = C × i ÷ (1 − (1 + i)^−n), em que n é o número de parcelas.
| Item | Valor |
|---|---|
| Valor liberado | R$ 1.000,00 |
| Número de parcelas | 6 |
| Valor da parcela | R$ 178,53 |
| Total a pagar | R$ 1.071,18 |
O total é a parcela vezes 6: 178,53 × 6 = R$ 1.071,18, ou R$ 71,18 de juros. Por que é menos que o montante composto de R$ 1.126,16 da seção anterior? Porque ali o saldo inteiro ficou rendendo 6 meses. Na Price, você devolve parte do capital todo mês, e os juros incidem sobre um saldo menor.
Também é menos que os R$ 120 do regime linear sobre o capital inteiro, pelo mesmo motivo: o saldo cai. A comparação justa não é entre os regimes no papel, e sim entre propostas reais, cada uma com seu custo total.
Quando usar esse cálculo em vez do composto?
O cálculo linear faz sentido em contas rápidas e didáticas: estimar quanto um valor custaria em poucos períodos, conferir uma conta de cabeça ou aprender a lógica antes dos compostos. Em prazo muito curto, os dois regimes dão resultados próximos, como mostra o mês 1 da tabela.
Para avaliar empréstimo, financiamento ou aplicação, porém, usar esse regime vira armadilha: a conta subestima o custo real. Nesses casos, use juros compostos e a calculadora de juros compostos.
Armadilha comum: multiplicar a taxa mensal por 12 para achar a anual só vale em juros simples. Em juros compostos, 2% a.m. equivale a cerca de 26,82% a.a., e não a 24%.
Taxa de juros não é tudo: o CET
O CET, Custo Efetivo Total, é a taxa que reúne todo o custo de um crédito: juros, IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), tarifas e seguros. Duas propostas com a mesma taxa de juros podem ter CET diferentes, e o CET é o número que compara de verdade.
O IOF, por exemplo, soma 0,38% fixo mais 0,0082% ao dia para pessoa física, pelo Decreto nº 6.306/2007. A Resolução CMN nº 4.881/2020, do Conselho Monetário Nacional, obriga a instituição a informar o CET antes da contratação, expresso como taxa percentual anual. Muitas propostas também mostram o CET ao mês.
Ler o CET em cada parcela e comparar propostas reais é assunto do nosso guia sobre o custo das parcelas na prática.
No Juca, o dinheiro cai no Pix. Todos os produtos são liberados por Pix, na sua conta, depois da análise de crédito:
- Empréstimo para negativado no Pix: simule mesmo com o nome sujo.
- Empréstimo pessoal no Pix: de R$ 500 a R$ 2.500, também para autônomo e aposentado.
- Consignado CLT no Pix: crédito com desconto em folha para quem tem carteira assinada.
- Antecipação do FGTS no Pix: adiante parcelas do saque-aniversário.
- Antecipação de Salário no Pix: até R$ 150 na hora para começar.
- Pix Parcelado: mande um Pix usando o limite do cartão de crédito e pague em parcelas na fatura.
As condições aparecem na tela antes de você assinar. Simule pelo site: é lá que você vê o custo total.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira. As condições variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário, nos termos da Resolução CMN nº 3.954/2011, das instituições financeiras parceiras BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A. (CNPJ 34.337.707/0001-00), Money Plus SCMEPP (CNPJ 11.581.339/0001-45), UY3 SCD S/A (CNPJ 39.587.424/0001-30) e Celcoin SCD S.A., antiga Via Capital SCD (CNPJ 48.632.754/0001-90). O Pix Parcelado é concedido pela BMP SOCIEDADE DE CREDITO DIRETO S.A. O Juca não é instituição financeira.
Fontes
- Banco Central do Brasil: série SGS 25464, taxa média de juros do crédito pessoal não consignado
- Banco Central do Brasil: série SGS 432, taxa Selic
- Banco Central do Brasil: Resolução CMN nº 4.881/2020, Custo Efetivo Total
- Planalto: Medida Provisória nº 2.170-36/2001
- Planalto: Decreto nº 6.306/2007, regulamento do IOF
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção pela UFRJ e Correspondente Bancário certificado pela Febraban (FBB100, Correspondente Bancário Completo), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Veja todos os artigos do autor.