Margem consignável é o pedaço do seu salário que pode ser comprometido com parcela descontada direto da folha. Informe o que ganha e o que já desconta, e o simulador mostra quanto de margem você tem, quanto dela ainda está livre e que tamanho de empréstimo isso comporta.
🔒 A conta roda no seu navegador — nada é enviado nem salvo
Simule a sua margem
É uma simulação, não uma proposta. O número que sai aqui é o teto legal da sua margem com os dados que você digitou. Quanto você realmente recebe depende da análise de crédito da instituição, que pode recusar o pedido ou liberar menos. Nenhum dado sai do seu aparelho: a conta é feita aqui no navegador.
O que é margem consignável
É um limite de proteção, não um benefício. A lei impede que os descontos de empréstimo em folha passem de uma fatia da sua remuneração, para que sobre salário para viver. Você não perde o que está dentro da margem: ela só define o teto do que pode ser comprometido.
No Crédito do Trabalhador, o consignado de quem tem carteira assinada, esse teto é de 35%. E aqui vem a parte que muda o número na sua conta: 35% da remuneração disponível, não do salário bruto.
Não existe faixa de cartão consignado aqui. Se você já leu sobre 5% para cartão e 5% para cartão benefício, isso é regra de aposentado do INSS e de servidor público. No consignado do trabalhador CLT o art. 7º da Portaria MTE nº 435/2025 fixa 35% e ponto, sem subdivisão.
Como a margem é calculada, passo a passo
São três movimentos, e o simulador acima faz os três.
1. Some o que tem incidência de INSS
O salário base mais as rubricas habituais: horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, comissões e gratificações. Verba indenizatória fica de fora, porque não sofre incidência previdenciária.
2. Tire os descontos obrigatórios
O que resta é a remuneração disponível. Saem da base:
- INSS do trabalhador e IRRF;
- descontos com incidência de INSS, como faltas, atrasos e o DSR perdido por causa delas;
- pensão alimentícia e retenções judiciais;
- FIES, adiantamento de 13º, desconto de aviso prévio e a multa do art. 480.
3. Aplique os 35%
O resultado é a sua margem total. Se você já tem consignado, as parcelas ativas ocupam parte dela; o que sobra é a margem livre, e é ela que define um empréstimo novo.
Desconto que você autorizou não reduz a base. Plano de saúde, coparticipação, convênio farmácia, vale-transporte, mensalidade de associação e seguro saem do seu bolso, mas não saem da conta da margem — art. 30, §3º da mesma portaria, e o Manual de Orientação do Empregador 2.1 é explícito ao marcar a coparticipação de plano de saúde como sem impacto na remuneração disponível.
Isso é contraintuitivo e joga a seu favor: a sua margem é maior do que você imaginaria olhando o valor que cai na conta. O efeito colateral é conhecido — às vezes o limite de 35% sai maior do que o caixa que realmente sobra no mês.
O erro que infla a sua margem, e cresce com o salário
Muita calculadora por aí aplica os 35% direto sobre o salário bruto. O número sai bonito e errado, e você descobre isso quando a proposta volta menor do que a simulação prometia. Veja o tamanho da diferença, sem nenhum outro desconto na conta:
| Salário bruto | INSS + IRRF | Remuneração disponível | Margem real (35%) | 35% do bruto | Diferença |
|---|---|---|---|---|---|
| R$ 2.000,00 | R$ 155,69 | R$ 1.844,31 | R$ 645,51 | R$ 700,00 | R$ 54,49 |
| R$ 3.000,00 | R$ 248,60 | R$ 2.751,40 | R$ 962,99 | R$ 1.050,00 | R$ 87,01 |
| R$ 5.000,00 | R$ 701,56 | R$ 4.298,44 | R$ 1.504,45 | R$ 1.750,00 | R$ 245,55 |
| R$ 8.000,00 | R$ 1.792,38 | R$ 6.207,62 | R$ 2.172,67 | R$ 2.800,00 | R$ 627,33 |
| R$ 12.000,00 | R$ 2.940,66 | R$ 9.059,34 | R$ 3.170,77 | R$ 4.200,00 | R$ 1.029,23 |
Quanto maior o salário, maior a mordida do IRRF e maior o erro: de R$ 54 por mês em quem ganha R$ 2.000 para mais de R$ 1.000 em quem ganha R$ 12.000. Numa simulação de 24 parcelas, esses R$ 1.029 de margem imaginária viram cerca de R$ 19 mil de empréstimo que não existem.
Quanto a margem vira de empréstimo
A margem é uma parcela mensal, não um valor de empréstimo. Para virar valor, faltam duas informações: em quantos meses você vai pagar e a que taxa. O simulador faz o caminho de volta — dada a parcela, o prazo e a taxa, calcula quanto de principal aquela parcela sustenta, pelo método da tabela Price.
Duas consequências práticas que vale entender antes de escolher:
- Prazo maior libera mais dinheiro e custa mais juros. A mesma parcela em 48 meses sustenta um empréstimo bem maior que em 24, e o total pago sobe junto.
- Taxa maior libera menos dinheiro pela mesma parcela. Por isso a taxa é o que mais importa na comparação entre propostas, mais até do que o valor da parcela.
O simulador mostra um teto, não uma oferta. A conta não inclui taxa de abertura de crédito, IOF nem seguro, que reduzem o valor que efetivamente cai na sua conta, e não passa por análise de crédito. E você não é obrigado a usar a margem inteira: comprometer menos significa dívida menor e mais folga no mês.
Se a margem já está tomada
Acontece com quem tem contrato ativo. Se as parcelas ocupam os 35%, não há espaço para um empréstimo novo — e insistir em simular não muda isso. Os dois caminhos reais são:
- Amortizar ou quitar um contrato, o que devolve a parcela correspondente à margem.
- Fazer portabilidade para uma taxa menor. A dívida continua a mesma, mas a parcela cai, e a diferença volta a ser margem livre. Vale a pena comparar; explicamos quando em portabilidade de consignado CLT.
O que este simulador não sabe sobre o seu caso
Ele aplica a regra geral aos números que você digitou. Ficam de fora:
- o que a sua empresa informa ao eSocial, que é a fonte oficial da margem;
- regras da convenção coletiva da sua categoria;
- política de crédito da instituição, que pode ser mais conservadora que o teto legal;
- a análise de crédito, que pode recusar o pedido ou aprovar um valor menor;
- TAC, IOF e seguro prestamista, que reduzem o valor liberado.
Use o resultado para saber a ordem de grandeza e para conferir se uma proposta faz sentido — não como promessa de valor.
Perguntas frequentes
Este simulador guarda meus dados?
Não. O cálculo roda inteiro no seu navegador, em JavaScript. Nada é enviado para nossos servidores, não pedimos e-mail e não pedimos CPF.
A margem é sobre o salário bruto ou o líquido?
Nenhum dos dois, exatamente. É sobre a remuneração disponível: o bruto com incidência previdenciária menos INSS, IRRF, pensão e os demais descontos obrigatórios. Fica abaixo do bruto e normalmente acima do líquido que cai na conta, porque os descontos que você autorizou não entram na conta.
Meu plano de saúde é descontado em folha. Isso diminui minha margem?
Não. Plano de saúde, coparticipação, farmácia, vale-transporte e seguro são descontos voluntários e não reduzem a base dos 35%. Eles reduzem o que sobra no seu bolso, o que é outra conta — e é por isso que o simulador pede esse valor à parte, para mostrar as duas coisas.
Já tenho um consignado. Posso pegar outro?
Pode, se sobrar margem. As parcelas ativas ocupam parte dos 35% e o que resta é a margem livre. Se ela estiver zerada, as saídas são amortizar um contrato ou fazer portabilidade para uma taxa menor, o que reduz a parcela e libera espaço sem aumentar a dívida.
Sou negativado. Tenho margem mesmo assim?
A margem é uma conta sobre a sua folha e não olha score: se você tem salário e vínculo ativo, tem margem. O que o score afeta é a análise de crédito. No consignado o peso dele é menor, porque a garantia é o desconto em folha, e há opções para quem está com o nome sujo — sempre dentro da análise, que pode recusar.
Quanto tempo de carteira assinada eu preciso ter?
A regra da margem não exige tempo mínimo, mas cada instituição define a sua política. Tratamos disso em tempo de carteira assinada para consignado CLT.
Se eu for demitido, o que acontece com o empréstimo?
Desde 2026 parte da rescisão pode ser usada para quitar o saldo devedor: até 35% das verbas, até 10% do saldo do FGTS e até 100% da multa, conforme o que você deu em garantia e o motivo da saída. A conta completa está em pode descontar empréstimo consignado na rescisão?.
Quer saber quanto você recebe de verdade?
Este simulador mostra o teto da regra. O valor que o Juca libera depende da sua empresa, do seu contrato e da análise de crédito — e aparece na simulação, com parcela e custo total, antes de você assinar.
Para entender o produto inteiro, o guia é o Consignado CLT (Crédito do Trabalhador): guia 2026. Outras contas estão em calculadoras do Juca.
Base legal e tabelas usadas nesta página
- Portaria MTE nº 435/2025, art. 7º — margem de 35% da remuneração disponível, sem subdivisão.
- Portaria MTE nº 435/2025, art. 30, §§ 2º e 3º — o que reduz e o que não reduz a base.
- Manual de Orientação do Empregador do Crédito do Trabalhador, versão 2.1 — quadros de rubricas e exemplos.
- Resolução CGCONSIG/MTE nº 3/2026 — garantias sobre a rescisão.
- Tabelas de INSS e IRRF vigentes desde janeiro de 2026.