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Anuidade do Cartão de Crédito: Como Não Pagar

Anuidade do cartão de crédito: veja quando é cobrada, os tipos de tarifa e como negociar ou cancelar. Confira o passo a passo completo agora.
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Dois cartões sem identificação ao lado de calculadora e documentos sobre uma mesa.

Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em outubro de 2026

A anuidade do cartão de crédito é a tarifa que o emissor cobra pela manutenção do cartão e da rede de lojas que o aceitam. Ela pode vir em parcela única ou em parcelas na fatura. Pela Resolução CMN nº 3.919/2010, a cobrança só vale se estiver prevista no contrato. Toda instituição é obrigada a oferecer um cartão básico, sem programa de benefícios, inclusive quando o crédito do titular é originado através de instituições financeiras e seus correspondentes, como o Juca.

Resposta rápida:

  • A anuidade é uma tarifa do emissor, prevista em contrato e regulada pelo Conselho Monetário Nacional.
  • O cartão básico não pode ter programa de benefícios e tem anuidade menor que a do diferenciado.
  • O aumento da anuidade precisa ser avisado com pelo menos 45 dias de antecedência.
  • É possível negociar isenção, migrar para o cartão básico ou trocar por um cartão sem anuidade.
  • Cobrança fora do contrato se contesta no SAC, depois na ouvidoria e depois no Banco Central.

Anuidade do cartão de crédito é obrigatória?

A anuidade do cartão de crédito não é obrigatória por lei. Ela só pode ser cobrada quando está prevista no contrato. A anuidade é a tarifa que paga a disponibilidade do cartão e da rede de lojas que o aceitam. Organizar esse tipo de custo fixo faz parte da educação financeira do dia a dia, porque uma tarifa esquecida na fatura pesa tanto quanto um gasto novo. Se quiser entender antes a fatura, o limite e o rotativo, veja como funciona o cartão de crédito.

A regra está no art. 1º da Resolução CMN nº 3.919/2010. O Conselho Monetário Nacional (CMN) define as normas do sistema financeiro, e o Banco Central do Brasil (BCB) fiscaliza o cumprimento. Segundo o Conselho Monetário Nacional (2010), uma tarifa só pode ser cobrada se estiver no contrato entre a instituição e o cliente, ou se o serviço tiver sido autorizado ou pedido antes.

Na prática, quem assina o contrato de um cartão com anuidade concorda com ela. Mesmo assim, o emissor do cartão, que é a instituição responsável pela emissão e pela cobrança, não tem liberdade total. A mesma resolução obriga toda instituição que emite cartão de crédito a oferecer um cartão básico para pessoas físicas. Esse cartão pode ser nacional ou internacional.

A Resolução 3.919 também define como a anuidade pode aumentar. A norma não fixa um teto percentual de reajuste. Ela controla o prazo: pelo art. 18, o aumento de tarifa de serviço de cartão precisa ser divulgado com no mínimo 45 dias de antecedência. Pelo §1º do mesmo artigo, o preço dos serviços prioritários de cartão de crédito, como a anuidade do cartão básico, só pode subir depois de 365 dias do último valor divulgado. Na prática, isso limita o reajuste a uma vez por ano.

Atenção: parte da Resolução 3.919 foi revogada em 01/03/2022 pela Resolução BCB nº 96/2021, inclusive regras antigas sobre fatura e contrato. Continuam valendo a regra da tarifa prevista em contrato, a obrigação do cartão básico, a definição da anuidade diferenciada e as regras de reajuste. São essas as regras citadas aqui.

Quais são os tipos de anuidade de cartão?

Pela regulação, existem dois tipos de anuidade de cartão: a do cartão básico e a anuidade diferenciada. No mercado também existem o cartão sem anuidade e a cobrança separada do cartão adicional. A categoria do cartão, ou seja, o nível de benefícios que ele oferece, é o que mais muda o custo.

O cartão básico serve para pagar compras, contas e serviços. O art. 10, §3º, da resolução proíbe que ele tenha programa de benefícios ou recompensas. O §4º determina que a anuidade do básico nacional seja menor que a do básico internacional.

Tipos de anuidade do cartão de crédito: o que cada um oferece
Tipo O que oferece Custo relativo Para quem
Básico Compras, contas e serviços, sem programa de benefícios Menor entre os cartões com anuidade Quem usa o cartão só para pagar
Diferenciado Rede de lojas mais programa de pontos, seguros ou outros benefícios Maior que o básico internacional Quem usa os benefícios a ponto de compensar o custo
Sem anuidade Uso do cartão, em geral com menos benefícios Zero de anuidade, com outras tarifas possíveis Quem quer reduzir o custo fixo do cartão
Cartão adicional Cartão extra na mesma conta, para um dependente Cobrança própria, se prevista em contrato Quem divide o limite com a família

Uma prática comum no mercado é a isenção por gasto mínimo: o emissor deixa de cobrar a anuidade quando o cliente gasta um valor por mês. Isso não está na norma. Cada emissor decide se oferece e com quais condições, e elas ficam no contrato.

Anuidade diferenciada: o que é?

Muita gente pesquisa “anuidade diferenciada o que é” ao ver o termo na fatura. A anuidade diferenciada é a tarifa do cartão que inclui benefícios além do uso básico. Pelo art. 11, inciso I, da Resolução 3.919, ela cobre a rede de estabelecimentos e também a oferta e a gestão de programas de benefícios ou recompensas.

Programas de pontos, milhas, seguros de viagem e acesso a salas VIP entram nesse grupo. O §1º do art. 11 proíbe que a anuidade diferenciada seja igual ou menor que a do cartão básico internacional. A única exceção é o cartão híbrido feito em parceria com uma empresa comercial. Em resumo, os benefícios custam mais, e esse custo só compensa se você realmente usa os benefícios.

Quanto custa a anuidade de um cartão?

O valor da anuidade do cartão de crédito depende do emissor e da categoria do cartão. Não existe um valor fixado em norma. O Banco Central obriga a divulgação das tarifas, e cada emissor publica a sua tabela. Por isso, o número que vale é o do seu contrato.

A anuidade pode ser cobrada de uma vez ou em parcelas mensais na fatura. O parcelamento da anuidade é o formato mais comum e também o que mais confunde. Uma parcela pequena parece barata, mas o custo real é o total do ano.

Veja um exemplo hipotético, que não é tarifa de nenhum emissor. Um cartão diferenciado com anuidade de R$ 480,00 cobrada em 12 parcelas de R$ 40,00 custa R$ 480,00 por ano. Um cartão básico com anuidade de R$ 120,00 em 12 parcelas de R$ 10,00 custa R$ 120,00 por ano. Quem troca um pelo outro economiza R$ 360,00 por ano.

Exemplo hipotético de custo da anuidade do cartão de crédito em 12 parcelas
Cartão Parcela mensal Parcelas Total no ano
Diferenciado (ilustrativo) R$ 40,00 12 R$ 480,00
Básico (ilustrativo) R$ 10,00 12 R$ 120,00
Diferença R$ 30,00 12 R$ 360,00

A comparação só fica completa se o benefício entrar na conta. Se os pontos do cartão diferenciado valem menos de R$ 360,00 por ano para você, o básico sai mais barato.

Como saber o valor da anuidade do meu cartão?

O valor da anuidade do seu cartão aparece em três lugares diferentes, e vale a pena conferir mais de um antes de decidir se vai negociar ou trocar de cartão. A fatura mostra a parcela do mês, mas não o total do ano; o contrato e a tabela de tarifas do emissor mostram a regra completa, inclusive se a anuidade está parcelada ou cobrada de uma vez. Quando o valor não bate entre esses lugares, o SAC é quem confirma a versão oficial e registra um protocolo que serve de prova depois. Confira nesta ordem:

  • Fatura: procure a linha de anuidade ou tarifa e veja em qual parcela você está.
  • Contrato: o valor e a forma de cobrança precisam estar escritos lá.
  • Tabela de tarifas do emissor: ela fica no site ou no aplicativo da instituição.
  • SAC do emissor: peça por telefone o valor total do ano e anote o protocolo.

Anuidade é cobrada mesmo sem usar o cartão?

A anuidade pode ser cobrada mesmo sem você usar o cartão, se o contrato prever a cobrança. Ela paga a disponibilidade do cartão, não as compras. Um cartão parado na gaveta pode continuar cobrando parcelas todo mês.

Se o cartão não tem mais uso, você tem dois caminhos. O primeiro é pedir ao emissor isenção ou migração para o cartão básico. O segundo é cancelar o cartão. A Resolução BCB nº 96/2021 dá ao emissor até 30 dias corridos para encerrar o cartão e proíbe que ele recuse o pedido porque existe saldo devedor. A dívida que já existe continua a ser paga normalmente.

Antes de cancelar, veja se há compras parceladas, débitos automáticos ou assinaturas ligadas ao cartão. Mude a forma de pagamento antes, para não deixar nenhuma conta em atraso.

Como não pagar anuidade do cartão de crédito

Para não pagar anuidade do cartão de crédito, você pode negociar isenção, migrar para o cartão básico ou trocar por um cartão sem anuidade. Quem procura como não pagar anuidade pode começar pela negociação com o emissor atual, porque ela mantém o histórico e o limite que você já tem.

A anuidade costuma pesar menos que o rotativo, que é o juro cobrado quando a fatura não é paga inteira. Quem está com a fatura apertada pode fazer sentido resolver primeiro os juros do cartão de crédito e só depois tratar da anuidade, porque o rotativo cresce todo mês e a anuidade não. Desde a Lei nº 14.690/2023 (art. 28, §1º), os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura não podem passar do valor original da dívida.

Como negociar ou cancelar a anuidade

Saber como negociar anuidade do cartão e como cancelar anuidade do cartão começa com dados em mãos. Siga estes passos:

  1. Levante na fatura quanto já pagou de anuidade e quantas parcelas faltam.
  2. Ligue para o SAC e peça isenção, redução ou migração para o cartão básico.
  3. Pergunte se existe isenção por gasto mínimo e quais são as condições.
  4. Anote o número do protocolo, a data e o nome de quem atendeu.
  5. Peça a confirmação da mudança por escrito, no aplicativo ou por e-mail.
  6. Sem resposta ou sem acordo, registre o pedido na ouvidoria do emissor.

A migração para o cartão básico é um pedido que o emissor não pode deixar de atender só porque não quer. Ele é obrigado a oferecer esse cartão pelo art. 10 da Resolução 3.919.

Cartão sem anuidade vale a pena?

Um cartão sem anuidade vale a pena para quem usa o cartão só para pagar e não aproveita pontos nem seguros. Ele elimina o custo fixo, mas pode ter menos benefícios e um limite inicial mais baixo.

  • Leia o contrato, porque o cartão pode cobrar outras tarifas, como emissão de segunda via.
  • Compare o limite oferecido com o seu gasto real do mês, de preferência com uma calculadora financeira que mostre o que sobra depois das contas fixas.
  • Confira se a gratuidade é permanente ou se depende de gasto mínimo.
  • Calcule quanto valem os benefícios do cartão atual antes de trocar.

A Abecs, associação que reúne as empresas de cartões, publica dados do setor. Para a decisão individual, porém, o que conta é o seu contrato e o seu uso. Quem já vive no limite do cartão e usa o rotativo com frequência tende a acumular uma dívida no cartão de crédito bem mais cara que qualquer anuidade.

Cobrança indevida de anuidade: como contestar

A cobrança indevida de anuidade se contesta primeiro no SAC, depois na ouvidoria e depois no Banco Central ou no consumidor.gov.br. Cobrança indevida é a que não está no contrato, que veio depois do cancelamento ou que tem um aumento que não foi avisado com 45 dias de antecedência.

  • SAC: registre a reclamação e anote o protocolo.
  • Ouvidoria: tem até 10 dias úteis para responder, pela Resolução CMN nº 4.860/2020, art. 6º, §2º.
  • Banco Central: aceita reclamações pela internet, no canal Registrar Reclamação, ou pelo telefone 145.
  • Consumidor.gov.br ou PROCON: são os órgãos de defesa do consumidor.

Você também pode registrar o caso no consumidor.gov.br.

O Código de Defesa do Consumidor (CDC), Lei nº 8.078/1990, garante no art. 42, parágrafo único, que quem pagou uma quantia indevida tem direito a receber em dobro o que pagou a mais, com correção e juros. A exceção é o engano justificável.

Se a fatura apertou, a anuidade costuma ser só uma parte do problema. Parcelar uma conta urgente no limite do cartão pode fazer sentido se o custo total ficar mais baixo que o rotativo; veja como funciona o Pix Parcelado antes de decidir.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre anuidade mensal e anual?

A diferença entre anuidade mensal e anual está só na forma de cobrança. A anual vem em uma parcela única, e a mensal divide a tarifa em parcelas na fatura. O custo que importa é o total do ano. Confira no contrato qual forma vale para o seu cartão e quanto ela soma em 12 meses.

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As condições aparecem na tela antes de você assinar. Simule pelo site: é lá que você vê o custo total.

Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira. As condições variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário, nos termos da Resolução CMN nº 3.954/2011, das instituições financeiras parceiras BMP Money Plus SCD S.A. (CNPJ 34.337.707/0001-00), Money Plus SCMEPP (CNPJ 11.581.339/0001-45), UY3 SCD S/A (CNPJ 39.587.424/0001-30) e Celcoin SCD S.A., antiga Via Capital SCD (CNPJ 48.632.754/0001-90). O Pix Parcelado é concedido pela BMP Money Plus SCD S.A. O Juca não é instituição financeira.

Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. É Engenheiro de Produção pela UFRJ e Correspondente Bancário certificado pela Febraban (FBB100, Correspondente Bancário Completo). Tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Veja os artigos de Tom Cerginer

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