Por Tom Cerginer, Correspondente Bancário Febraban (FBB100). Atualizado em outubro de 2026
Cartão clonado: o que fazer primeiro é bloquear o cartão no app ou na central do banco, na mesma hora. Depois, conteste cada compra que não fiz no cartão, registre o boletim de ocorrência e guarde os protocolos. Pela Súmula 479 do STJ, o banco responde pelos danos de fraude praticada por terceiros nas operações bancárias.
Resposta rápida:
- Bloqueie o cartão no app do banco ou pela central, antes de qualquer outra coisa.
- Liste as compras que você não fez e conteste uma por uma, sempre com protocolo.
- Registre o boletim de ocorrência, de preferência na delegacia eletrônica do seu estado.
- Em regra, o banco responde por fraude de terceiros, conforme a Súmula 479 do STJ.
- Troque as senhas e desconfie de quem ligar pedindo Pix para fazer um estorno.
Neste guia
- Cartão clonado: o que fazer nos primeiros minutos
- Como saber se meu cartão foi clonado
- Compra que não fiz no cartão: como contestar
- Clonaram meu cartão, o banco é obrigado a devolver o dinheiro?
- Como fazer boletim de ocorrência de cartão clonado
- Do cartão clonado ao golpe do Pix: o segundo golpe
- Como evitar que o cartão seja clonado de novo
Cartão clonado: o que fazer nos primeiros minutos
Com o cartão clonado, o que fazer nos primeiros minutos é cortar o acesso do golpista: bloquear o cartão, registrar as compras estranhas e proteger as senhas. Quanto antes o bloqueio, menos compras novas entram na fatura.
Clonagem é quando alguém copia os dados do seu cartão, como número, validade e código de segurança, e passa a comprar no seu nome. O problema é comum. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Brasil registrou 2.261.055 ocorrências de estelionato em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026.
Se você quer entender antes a mecânica de limite, fatura e bandeira, veja o guia sobre como funciona o cartão de crédito. Aqui, o foco é a ação. Siga esta ordem de cartão clonado, o que fazer agora:
- Bloqueie o cartão pelo app do banco ou pela central de atendimento.
- Liste todas as compras que você não reconhece, com data e valor.
- Conteste cada compra no app ou na central e anote o protocolo.
- Registre o boletim de ocorrência na delegacia eletrônica do seu estado.
- Troque as senhas e gere um cartão virtual novo, apagando o antigo.
Bloqueie pelo app ou pela central do banco
O bloqueio pelo app costuma ser a via mais rápida, porque a maioria dos bancos tem a opção de bloquear ou cancelar o cartão na própria tela. Se preferir ligar, use o número impresso no verso do cartão ou o que está no site oficial do banco. Nunca ligue para um número recebido por SMS, e-mail ou mensagem: é assim que o golpe da falsa central começa.
Anote as compras suspeitas e os protocolos
A lista de compras suspeitas é a sua principal prova. Tire print da fatura ou do extrato com cada lançamento que não é seu. Em toda conversa com o banco, peça o número do protocolo e anote o dia, a hora e o nome de quem atendeu. Esses registros servem para a contestação, para o BO e para uma eventual reclamação depois.
Troque senhas e confira se há cartão virtual
A troca de senhas vale para o app do banco, o e-mail e as lojas onde o cartão estava salvo. Confira também se havia cartão virtual ativo: ele tem número próprio e pode continuar funcionando mesmo com o físico bloqueado. Apague os virtuais antigos e gere um novo só quando precisar comprar.
Como saber se meu cartão foi clonado
Para saber se meu cartão foi clonado, o sinal mais claro é uma compra que você não reconhece na fatura ou no app. Mas há outros indícios, e alguns aparecem antes do prejuízo grande. Fique atento a estes sinais:
- Compra que você não fez, em loja ou site que você não conhece.
- Compra de valor baixo, de poucos reais, que funciona como teste do golpista.
- Alerta de compra no exterior ou em outra cidade, sem você ter viajado.
- Recusa inesperada do cartão por limite, quando você não gastou tanto.
- Notificação de cadastro do cartão em carteira digital que não foi você.
- Ligação ou mensagem de suposta central perguntando sobre uma compra.
A compra pequena merece atenção especial. Muitos golpistas testam o cartão com um valor baixo antes de fazer compras maiores, e quem ignora esse primeiro lançamento perde tempo precioso.
Cartão bloqueado por compra suspeita: o que significa
Cartão bloqueado por compra suspeita significa, na maioria das vezes, que o sistema antifraude do banco travou uma transação fora do seu padrão. Isso não confirma clonagem: pode ser só uma compra sua em valor ou local diferente do habitual. Confirme sempre pelo app ou pelo número do verso do cartão, nunca pelo contato que chegou até você.
Como o cartão é clonado
A clonagem acontece por alguns caminhos conhecidos. O skimming é a cópia dos dados em maquininha ou caixa adulterado, mais comum em cartões que ainda usam tarja em vez do chip. O phishing é a página falsa que pede os dados do cartão. Há ainda vazamento de dados em lojas e a foto do cartão enviada a terceiros. Qualquer um desses caminhos entrega ao golpista o que ele precisa para comprar em seu nome sem o cartão físico.
Compra que não fiz no cartão: como contestar
Para contestar uma compra que não fiz no cartão, o caminho é abrir a contestação no app ou na central do banco, compra por compra, e guardar o protocolo de cada pedido. A contestação, também chamada de chargeback, é o pedido formal para o banco cancelar a cobrança e investigar.
Quando o cartão novo chegar e o limite voltar, ele também pode virar dinheiro na conta: com o Pix Parcelado do Juca, você manda um Pix usando o limite do cartão de crédito e paga em parcelas na fatura, depois da análise de crédito.
Siga este passo a passo:
- Abra a fatura no app e localize cada lançamento que não é seu.
- Use a opção de contestar ou não reconheço essa compra, quando existir.
- Se o app não tiver a opção, peça a contestação pela central, por escrito.
- Anote o protocolo de cada compra contestada separadamente.
- Acompanhe as próximas faturas para ver o estorno ou o crédito provisório.
- Guarde as respostas do banco, inclusive se a contestação for negada.
Quanto tempo o banco tem para estornar compra em cartão clonado? Não há um prazo único em norma do Banco Central do Brasil para esse estorno. O prazo segue as regras do banco e da bandeira do cartão, por isso pergunte no atendimento qual é o prazo de análise e anote a resposta junto com o protocolo.
Atenção: não deixe de pagar a fatura inteira por causa da contestação sem orientação do banco. Pergunte se o valor contestado pode ficar suspenso e pague o restante, para não cair em atraso e juros.
Este guia trata de compra feita por terceiros. Compra legítima que você mesmo fez e quer cancelar, por arrependimento ou produto que não chegou, segue outro caminho, com a loja e o atendimento ao consumidor.
Clonaram meu cartão, o banco é obrigado a devolver o dinheiro?
Clonaram meu cartão: o banco, em regra, responde pelo prejuízo causado por fraude de terceiros. Duas bases sustentam isso: o Código de Defesa do Consumidor e uma súmula do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o tribunal que uniformiza a interpretação das leis federais.
O Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), no art. 14, diz que o fornecedor de serviços responde pelos danos causados por defeitos na prestação do serviço, independentemente de culpa. É a chamada responsabilidade objetiva.
A Súmula 479 do STJ, de 2012, aplica isso aos bancos: as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos de fraudes e delitos praticados por terceiros em operações bancárias.
A exceção que o banco costuma alegar está no mesmo art. 14, §3º: ele não responde se provar culpa exclusiva do consumidor. É o caso de quem entregou a senha ou o código de confirmação a um golpista. A tabela resume quem paga o prejuízo de cartão clonado em cada situação:
| Situação | Quem arca, em regra | Base | O que você guarda como prova |
|---|---|---|---|
| Compra com cartão físico clonado | O banco | CDC art. 14 e Súmula 479 | Fatura, protocolos e BO |
| Compra online com dados vazados | O banco | CDC art. 14 e Súmula 479 | Prints, protocolos e BO |
| Você entregou a senha ou o código a um golpista | Pode ficar com você | CDC art. 14, §3º (culpa exclusiva) | Registro da ligação ou mensagem e BO |
| Compra legítima que você não quer mais | Fora deste guia | Regras de cancelamento | Nota fiscal e conversa com a loja |
Se o banco negar, escale. Primeiro o SAC; depois a ouvidoria, que tem até 10 dias úteis para responder, pela Resolução CMN nº 4.860/2020. Sem solução, registre reclamação no Banco Central ou no consumidor.gov.br.
Como fazer boletim de ocorrência de cartão clonado
O boletim de ocorrência de cartão clonado pode ser feito pela internet, na delegacia eletrônica da Polícia Civil do seu estado, sem sair de casa. Em São Paulo, a Delegacia Eletrônica aceita o registro de fraude e estelionato 24 horas por dia.
Cartão clonado é crime? Sim. O Código Penal, no art. 298, parágrafo único, incluído pela Lei nº 12.737/2012, equipara o cartão de crédito ou débito a documento particular. Falsificá-lo tem pena de reclusão de 1 a 5 anos e multa.
Para fazer o registro:
- Acesse o site da delegacia eletrônica do seu estado.
- Escolha a opção de fraude ou estelionato.
- Informe seus dados pessoais, com RG e CPF.
- Descreva cada compra que não fez, com data, valor e loja.
- Informe os protocolos já abertos com o banco.
- Salve o PDF do boletim e envie ao banco junto com a contestação.
O BO não substitui a contestação no banco, mas reforça o seu pedido e cria registro oficial do crime.
Do cartão clonado ao golpe do Pix: o segundo golpe
Depois do cartão clonado, o risco seguinte é a falsa central. O golpista liga se passando pela segurança do banco, cita a compra suspeita e pede um Pix para estornar ou proteger o seu dinheiro. É um golpe em duas etapas: primeiro ele usa a fraude do cartão como gancho, depois tenta tirar dinheiro de verdade pelo Pix.
Banco não pede Pix para devolver dinheiro. Se isso aconteceu com você, o caminho é outro: veja o que fazer no guia sobre golpe do Pix.
Como evitar que o cartão seja clonado de novo
Para evitar que o cartão seja clonado de novo, reduza onde os dados ficam expostos e acompanhe cada compra em tempo real. Algumas práticas simples ajudam:
- Use cartão virtual nas compras online e apague depois de usar.
- Ative notificações de compra no app do banco.
- Prefira pagar por aproximação ou com chip, evitando a tarja.
- Não fotografe o cartão nem envie os dados por mensagem.
- Confira o endereço do site antes de digitar dados do cartão.
Cartão virtual pode ser clonado? Os dados dele podem vazar como os de qualquer cartão, mas o risco cai quando você gera um virtual por compra e o apaga em seguida. A mesma desconfiança vale para mensagens e aplicativos que pedem dado do cartão ou pagamento antecipado: confirme sempre pelo canal oficial do banco antes de responder.
Perguntas frequentes
Cartão bloqueado por compra suspeita: preciso fazer algo?
Sim. Para desbloquear, confirme a compra pelo app do banco ou pelo número no verso do cartão. Se a compra foi sua, o banco costuma liberar o cartão após a confirmação. Se não foi, peça o cancelamento e um cartão novo. Nunca confirme dados por link ou ligação que chegou até você.
Cartão virtual pode ser clonado?
Os dados de um cartão virtual podem vazar, por exemplo num site falso ou numa loja invadida. A vantagem é que ele pode ser apagado a qualquer momento sem afetar o cartão físico. Gerar um virtual por compra e excluí-lo depois limita bastante o uso por terceiros.
Passaram cartão clonado na minha loja, o que fazer?
O lojista deve falar com a credenciadora da maquininha, que é quem processa a venda e trata a contestação. Guarde o comprovante, as imagens e os dados da venda, e registre boletim de ocorrência. A venda pode ser estornada se o titular verdadeiro contestar a compra.
Como saber se meu cartão foi clonado sem fazer compra?
Mesmo sem usar o cartão, acompanhe a fatura e as notificações do app. Compra pequena desconhecida, cadastro em carteira digital que você não fez e alerta de transação negada são sinais. Ao ver qualquer um deles, bloqueie o cartão e fale com o banco pelo canal oficial.
No Juca, o dinheiro cai no Pix. Todos os produtos são liberados por Pix, na sua conta, depois da análise de crédito:
- Pix Parcelado: mande um Pix usando o limite do cartão de crédito e pague em parcelas na fatura.
- Empréstimo para negativado no Pix: simule mesmo com o nome sujo.
- Consignado CLT no Pix: crédito com desconto em folha para quem tem carteira assinada.
- Antecipação do FGTS no Pix: adiante parcelas do saque-aniversário.
- Antecipação de Salário no Pix: até R$ 150 na hora para começar.
As condições aparecem na tela antes de você assinar. Simule pelo site: é lá que você vê o custo total.
Este conteúdo é educacional e não é oferta de crédito nem consultoria financeira. As condições variam por instituição e dependem de análise de crédito. O Juca (JUCA INTERMEDIACOES E SERVICOS LTDA, CNPJ 48.225.686/0001-45) atua como correspondente bancário, nos termos da Resolução CMN nº 3.954/2011, das instituições financeiras parceiras BMP Money Plus SCD S.A. (CNPJ 34.337.707/0001-00), Money Plus SCMEPP (CNPJ 11.581.339/0001-45), UY3 SCD S/A (CNPJ 39.587.424/0001-30) e Celcoin SCD S.A., antiga Via Capital SCD (CNPJ 48.632.754/0001-90). O Pix Parcelado é concedido pela BMP Money Plus SCD S.A. O Juca não é instituição financeira.
Fontes
- STJ: Súmula 479
- Câmara dos Deputados: Lei nº 8.078/1990, Código de Defesa do Consumidor
- Planalto: Código Penal, Decreto-Lei nº 2.848/1940
- Banco Central do Brasil: Resolução CMN nº 4.860/2020
- Banco Central do Brasil: Registrar reclamação
- Governo Federal: consumidor.gov.br
- Polícia Civil de SP: Delegacia Eletrônica
- FBSP: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026
Tom Cerginer é cofundador do Juca e editor-chefe do blog. Engenheiro de Produção (UFRJ) e Correspondente Bancário certificado Febraban (FBB100), tem 4 anos de experiência em produtos de crédito para trabalhadores CLT e informais. Veja todos os artigos do autor.